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A Defesa da Soberania Nacional frente ao “Tarifaço” de Trump

28 de agosto de 2025

imagem: ABED

  A política tarifária adotada pelo governo Trump, conhecida como “Tarifaço”, se coloca em um contexto de redefinição das estratégias comerciais dos Estados Unidos e da tentativa de enfraquecimento do multilateralismo econômico construído, em grande parte pela intervenção norte-americana,  desde o pós-guerra.

  Anunciada como resposta a um suposto “enorme déficit comercial” estadunidense, o conjunto de medidas visa aumentar tarifas de importação sobre produtos de diferentes regiões.

  No entanto, esse enorme déficit não é resultado de práticas desleais de concorrência, mas sim consequência da própria liberalização econômica internacional promovida pelos EUA desde os anos 1990. Até a primeira década dos anos 2000, Washington foi o grande beneficiado dessa ordem multilateral. Agora, de novo em seu próprio benefício, os EUA querem redesenhar o sistema.

  O caso brasileiro apresenta contornos ainda mais complexos. A carta enviada pelo governo Trump ao Brasil, além de citar falsamente a existência de um déficit comercial estadunidense nas trocas bilaterais — quando os EUA registram superávit há mais de 15 anos —, incorporou uma dimensão política inusitada: a exigência de uma anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa imposição ultrapassa o campo comercial e atinge diretamente a soberania institucional brasileira, pois coloca em questão a independência dos Poderes e o funcionamento da democracia em nosso país. Dessa forma, são colocadas demandas políticas inaceitáveis.

  Nesse contexto, o “tarifaço” de Trump não pode ser entendido apenas como uma medida protecionista isolada, mas como parte de uma estratégia geopolítica mais ampla de reconfiguração do sistema internacional sob hegemonia estadunidense.

  Para o Brasil, os desafios transcendem o campo comercial e econômico: trata-se fundamentalmente de defender sua soberania, sua autonomia política, fortalecer alianças multilaterais e articular uma resposta que evite a completa subordinação a uma lógica bilateral desfavorável.

  Neste momento, é fundamental defender a soberania do país, luta à qual se soma a ABED. Mas também compreender que a soberania não pode ser apenas um movimento de um país ameaçado pelo imperialismo estadunidense. A soberania deve ser defendida no sentido ativo, de ganhar espaço de manobra no mundo para que o país possa levar adiante o seu próprio projeto de desenvolvimento. Portanto, para que a defesa da soberania seja ativa, ela tem que se coordenar com a defesa de um projeto nacional de desenvolvimento, democrático, inclusivo e solidário. É nesse sentido fundamentalmente que nos manifestamos neste momento.

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