Associação Brasileira de Economistas pela Democracia

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Repúdio ao Massacre no Rio de Janeiro

30 de outubro de 2025

imagem: ABED

texto: ABED

  A Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (ABED) manifesta seu profundo repúdio à operação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, uma chacina que resultou em 140 mortes. O episódio representa uma tragédia humana e social de grandes proporções, que reitera a lógica perversa de militarização das favelas e de tratamento da pobreza e dos cidadãos negros apenas como caso de polícia. A segurança pública, em uma democracia não pode se sustentar na lógica da guerra, nem na naturalização da morte de jovens negros e pobres. Apenas a violência institucional não restaura a ordem — destrói o tecido social, interrompe o trabalho, a escola, a saúde e a vida cotidiana de milhares de pessoas, alimentando o medo e o desamparo.


  O massacre ocorrido evidencia o fracasso de uma política que privilegia o confronto em detrimento da prevenção, da inteligência e da promoção de direitos. A economia das favelas — base da sobrevivência de milhares de famílias — sofre impacto direto com essas ações, que inviabiliza a circulação de bens, o funcionamento do comércio, das escolas, dos postos de saúde, e a geração de renda. O custo humano e econômico de tais operações é incalculável e recai, sempre, sobre os mesmos territórios esquecidos pelo Estado.


  A ABED defende que segurança, o desenvolvimento e a democracia são inseparáveis. Não há desenvolvimento econômico possível onde o Estado falha em proteger vidas. É urgente uma política pública de segurança baseada em planejamento, redução da letalidade policial (que leva à morte dos próprios policiais) e o fortalecimento das políticas sociais que atacam as causas da violência, inclusive as de geração de renda e emprego. O país não pode naturalizar massacres. A defesa da vida é o primeiro dever de qualquer governo, e a omissão diante dessa tragédia nos torna, como sociedade, cúmplices da barbárie.

Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (ABED)
30 de outubro de 2025

Este texto exprime a visão do(a) autor(a) e não representa a opinião da Abed

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